
É um sítio mágico, pensou, tão mágico que antes de o visitar já o conhecia, embora não soubesse como. Dezenas de vezes imaginara como seria e, agora que o contemplava, agora que lá estava, via-se totalmente ultrapassado pelo que fitava e, sobretudo, sentia. Tudo era novo sem o ser, tudo era conhecido sem nunca o ter sido. Estava ali, no local que as palavras lidas na infância tinham ajudado a criar, ali, onde a terra acabava e o mar começava, ali, onde incontáveis vezes se perguntou como seria estar, ali, onde não havia apenas impossíveis, unicamente sonhos. O mar, um pouco mais abaixo, estendia-se num azul tão infinito como revolto e prendia o olhar dos forasteiros. Altivo, como se tentasse permanecer indiferente à sua beleza, o céu cobria-se paulatinamente de nuvens que chegavam empurradas pelo forte vento que arremetia contra as arribas e colinas despidas. À noite choveria e a ideia agradou-lhe, ou não fosse isso algo que há muito tempo, talvez demasiado, não tinha o privilégio de assistir. Respirou fundo e sentiu-se novamente ele, sentiu como regressava a si aquela parte que há muito tempo permanecia envolta numa densa névoa que não a deixava respirar, que teimava mantê-la em cativeiro. Sorriu e, depois de olhar uma vez para a recortada costa e para o oceano que se estendia a seus pés, olhou para o lado. Voltou a sorrir, desta vez abertamente. Sim, há sítios mágicos, pensou outra vez. E há pessoas extraordinariamente mágicas.
November 13 2005, 00:25:32 UTC 6 years ago
here is the opposite one!
... used without the explicit permission of my sister who took it ;-)
me!
November 15 2005, 20:11:34 UTC 6 years ago
E já agora, adicionei-te!